UFMS prepara produção de medicamentos naturais para distribuição gratuita pelo SUS em 2028

Projeto Farmácia Viva reúne 70 espécies de plantas medicinais e une conhecimento popular e científico para ampliar as opções de tratamento na rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul.

A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, desenvolve um projeto que pretende transformar plantas medicinais em medicamentos fitoterápicos para distribuição pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a partir de 2028.

A iniciativa, chamada Farmácia Viva, reúne atualmente 70 espécies de plantas cultivadas em um horto de 7 mil metros quadrados. O trabalho combina a experiência de agricultores com o conhecimento científico de professores, pesquisadores e profissionais da saúde.

Um dos responsáveis pelo cultivo é o agricultor João Batista Lima, de 63 anos, que trabalha ao lado da professora e farmacêutica Soraya Solon, coordenadora do projeto. Enquanto ele contribui com sua experiência no campo, ela acompanha os processos técnicos necessários para transformar as plantas em medicamentos seguros.

Quatro plantas serão utilizadas na produção inicial

Das 70 espécies cultivadas, quatro foram escolhidas para a primeira etapa de produção de fitoterápicos destinados ao SUS:

  • Guaco: utilizado na preparação de xarope para problemas respiratórios.
  • Erva-baleeira: destinada à fabricação de gel com ação anti-inflamatória.
  • Capim-cidreira: será preparado na forma de planta seca para uso medicinal em chá.
  • Colônia: também será disponibilizada como planta seca para preparo de chá, conforme orientação de profissionais de saúde.

A seleção levou em consideração as necessidades da população de Mato Grosso do Sul e a possibilidade de produção dos medicamentos.

Projeto recebeu quase R$ 1 milhão

A Farmácia Viva é desenvolvida em parceria entre a UFMS e a Secretaria de Estado de Saúde (SES), com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (Fapec).

O projeto recebeu aproximadamente R$ 987 mil em recursos federais, destinados à estruturação do cultivo, processamento das plantas, preparação dos medicamentos e controle de qualidade.

A previsão de produção anual é de 40 mil frascos de xarope de guaco, 16 mil bisnagas de gel de erva-baleeira e 800 embalagens de 100 gramas de cada uma das plantas destinadas ao preparo de chás.

Medicamentos ainda dependem de autorização

A equipe já desenvolveu versões experimentais dos produtos, mas eles ainda não estão disponíveis para distribuição aos pacientes.

Antes de iniciar o fornecimento pelo SUS, será necessário concluir adaptações nos laboratórios e obter a Licença Sanitária.

Os medicamentos também precisam passar por análises que comprovem a qualidade das matérias-primas e a segurança dos processos de fabricação.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, a expectativa é iniciar a distribuição em 2028, após o cumprimento das exigências sanitárias.

Conhecimento popular e ciência trabalhando juntos

Um dos destaques do projeto é a troca de experiências entre o agricultor João Batista Lima e a professora Soraya Solon.

João aprendeu a trabalhar com plantas ainda na infância e utiliza conhecimentos tradicionais no cultivo. Já a professora contribui com orientações científicas e técnicas de produção farmacêutica.

Essa parceria tem ajudado a ampliar o cultivo. A previsão inicial era de 125 plantas de cada espécie selecionada, mas o trabalho permitiu alcançar 240 unidades por espécie.

Municípios de MS também poderão ser beneficiados

Além de produzir medicamentos, a Farmácia Viva pretende se tornar uma referência para municípios interessados em desenvolver seus próprios hortos medicinais.

As cidades de Itaporã e Rio Verde já demonstraram interesse em iniciativas semelhantes.

O projeto também prevê capacitação de profissionais de saúde, produção de mudas e atividades educativas sobre o uso correto e seguro das plantas medicinais.

A expectativa é que, a partir de 2028, a Farmácia Viva contribua para ampliar o acesso da população de Mato Grosso do Sul a tratamentos fitoterápicos gratuitos pelo SUS, com qualidade e acompanhamento profissional.

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